Ítalo Calvino, um dos mais importantes escritores italianos do século XX, disse que ver os clássicos é melhor do que não ver os clássicos; que um clássico nunca termina de dizer o que tem a dizer. Neste caso, o autor fala de literatura, mas cabe perfeitamente para o cinema e a música.
Não à tôa recorremos a palavra para falar de algo considerado muito bom, atemporal, da mais alta qualidade, exemplar, de excelente composição. Músicas e filmes podem ser clássicos por conter essas características, pela consistência da história, por ter marcado época, por efeitos especiais. Independente do que mais se destaque, clássicos sempre influenciarão pessoas, gerações e gostos.
Mas quero falar um pouco dos clássicos musicais do cinema. De uma época de alta safra de atores/dançarinos que nossos pais e tios admiraram tanto nas telas e na vitrola. Muitos ainda em cena e muitos não, mas sempre atuais.
Talentos raros de se ver hoje. Claro que apareceram muitos talentos no cinema e na música, mas completos como o já mencionado aqui, Sammy David Jr, é mais difícil de listar. Gene Kelly, Fred Astaire, Ginger Rogers, Frank Sinatra, Liza Minelli e muito outros que imortalizaram passos, músicas e filmes, também chamados ‘cult’.
Pra quem gosta de cinema e música, assistir a qualquer musical desses vira almoço de domingo. Por que não são filmes para consumir rapidinho e sair da mesa. O ritmo é outro e os enredos, normalmente, se desenrolam com muito jazz, músicos incríveis que sabem fazer ao vivo, com coreografias contagiantes, muito sapateado, vozes poderosas e afinadíssimas. Sem contar a elegância de figurinos, cabelos e maquiagens, no melhor estilo Broadway Show. Referências sempre resgatadas que surgem como tendências.
Meu pai contou como era ir ao cinema na época em que o lançamento de um filme com essas grandes estrelas de Hollywood era esperado. Era mais que um ingresso, um belisco e assistir. Fora a empolgação de verem a atuação, o programa era um evento mesmo. Antes do filme temos o trailer, antes passava desenho animado, notícias e do palco subia uma orquestra e as pessoas levantam para dançar. Depois do intervalo, aí sim o filme começava. Era diversão de no mínimo 3 horas, e fiquei com a impressão de que viviam e apreciavam com mais calma, de que o valor era maior.
Resgatar essas obras sempre será atual, por mais que tenham sido feitas há 30, 40 anos atrás. Nesses registros, do que não é considerado novo, continuam preservados o ar de novidade, de algo desconhecido. Elegância, talentos e inspiração que não podem ficar tão longe no tempo. Então fica a dica, entre um blockbuster e outro se atualize com clássico ou reveja um.
New York, New York, musical de 77, dirigido por Martin Scorsese, é um desses clássicos que encantou tanto e recomendo muito. O filme começa com a festa que marca o fim da Segunda Guerra, onde Jimmy Doyle e Francine Evans se conhecem (por pura insistência dele) e começam um relacionamento que garante cenas excelentes. A partir daí, vem a ascensão da carreira musical dos dois, boemia, muita estrada e momentos nada previsíveis. Só assistindo mesmo. A música tema, de mesmo nome, nasceu com o filme e só mais tarde foi regravada pelo elegante Frank Sinatra (em 79), e virou a versão mais conhecida e o clássico que é.
O personagem de De Niro é de um genioso e egocêntrico saxofonista que não economiza no humor ácido, e dupla maravilhosamente com a carismática dos marcantes olhões à la Beth Boop, Liza Minelli.
Escolhi uma cena curtinha que mostra uma faceta do De Niro mais desconhecida. E na sequência, claro, Liza arrebatando na música tema:
Esse tema dá muito assunto, então, escolhi outra cena e música que marcaram uma época muuito além de New York,New York, e que sempre valerá a pena ver de novo:
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
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